NO MEU LUGAR, O QUEJESUS FARIA(2)? (João 2: 12-22)
Aprender com Jesus é uma experiência fascinante, porém não fácil. Na lição anterior aprendemos com o mestre a nos importarmos cada vez mais com os problemas alheios observando seu modo de agir e reagir às carências do próximo.
Nesta lição continuaremos aprendendo com o nosso Mestre peripatético como reagir diante das situações desafiadoras que a vida nos apresenta. Então irmãos, vamos nessa!
Depois do episódio da transformação miraculosa da água em vinho na cidade de Caná da Galiléia, Jesus acompanhado por parentes e discípulos resolve descer à cidade de Cafarnaum. Permanecendo ali o por um período não revelado de dias. Ao aproximar-se a data da páscoa o mestre resolve subir (voltar) para a capital religiosa da Judéia (Jerusalém), onde estava localizado templo e aonde aconteciam as principais festividades religiosas da nação judia entre elas a páscoa.
O que era a páscoa? Festa em que os israelitas comemoram a libertação dos seus antepassados da escravidão no Egito Êx 12.1-20. Cai no dia 14 de NISÃ (mais ou menos 1 de abril). Em hebraico o nome dessa festa é Pessach.
Muito bem! O texto nos diz que ao chegar ao templo Jesus encontrou-se com os Vendedores, Cambistas que estavam assentados comercializando dentro do pátio do templo. A visão do templo transformado num supermercado religioso despertou a fúria de Jesus, para Ele aquela situação não poderia subsistir pelo fato de descaracterizar a função central da edificação do templo, a saber, um lugar de culto, adoração e instrução sobre a pessoa de Deus (yhaweh).
Se conformar com aquela distorção era compactuar com o erro e, pior ainda era invalidar seu ministério de profecia e ensino. Jesus sem vacilar toma uma atitude inusitada. Ele confecciona um açoite (flagelo, chicote) e armado com o mesmo coloca para fora os comerciantes do templo. Fica uma dúvida neste episódio, será que Jesus açoitou os vendedores e cambistas? Ou será que eles simplesmente se retiraram voluntariamente evitando o conflito, apavorados com a cara de fúria do Mestre?
O verbo grego (ekballo = lançar fora, expulsar), admite uma conotação de uso da violência quando a questão é expulsar, colocar para fora. Alguns comentaristas dizem que o chicote foi para conduzir os animais para fora do templo. Eu creio que Jesus pode até não ter açoitado os cambistas, mas que eles devem ter ficados intimidados com a indignação dele e assustados ao vê-lo de chicote em punho e, que isso foi o suficiente para chocá-los.
Estes homens estavam profanando não somente um lugar projetado para glorificação de Deus, mas também descaracterizavam a adoração pessoal a Deus transformando-a em um simples comercio ritualístico. Deus não se importava com a estrutura de pedra e cimento (templo) e sim com o verdadeiro templo (as pessoas) que ali se ajuntavam para render-lhe glórias. O comércio distorcia o caráter da relação de Deus com seu povo e afastava ainda mais o adorador do objeto de sua adoração.
Profanar o templo era muito mais que distorcer a funcionalidade daquele lugar era distorcer o caráter pessoal da adoração a Deus e a vocação do adorador. Por isso é que Jesus não freou sua indignação. A situação exigia uma atitude enérgica, não dava simplesmente para convidar os profanos à que se retirassem cordialmente das instalações do templo.
Mas afinal, aonde é que quero chegar com este estudo?
Bem! Creio que como Cristãos que somos (e lembre-se que ser cristão é sinônimo de ser seguidor de Cristo Cf At 11:26), e portanto é agir como Ele age e agiu deveríamos em certas circunstancias expressar um pouco da indignação ativa de nosso Mestre. Sei perfeitamente que o templo não mais existe (refiro-me ao de Jerusalém), no entanto um novo templo móvel existe e, este templo somos nós. E assim como a história costuma se repetir de tempos em tempos, até porque, muitos afirmam que ela é cíclica (recorrente). Mais uma vez presenciamos a distorção da funcionalidade do templo, não mais a estrutura de alvenaria e sim o organismo vivo. Assim como no episódio em Caná, Jesus continua preocupado com as necessidades do próximo. Lá na festa de casamento ele providenciou o vinho e agora ele providenciou o chicote e a purificação do lugar de adoração.
Mais uma vez sua intenção é didática, ele quer nos ensinar o caminho. Fomos feitos templo do Espírito, morada de Deus, mas será que nosso corpo tem cumprido tal função? Bem isso só você poderá responder.
Será que não estamos usando o nosso templo à semelhança dos cambistas e vendedores que enxergavam não a adoração e sim o lucro? Será que a nossa preocupação com o bem-estar, as demandas da vida e a procura por status social não estão nos transformando em ávidos cambistas. Estamos cuidando do nosso templo de forma adequada? Estamos nos indignando com a distorção que nós mesmos impusemos ao nosso templo, a saber, a de usá-lo como ferramenta de subsistência e não instrumento de adoração?
É triste saber que nos preocupamos tanto com nosso emprego, carreira, estudo e conforto e que para sermos bem sucedido nestas e em outras áreas fazemos mal uso do nosso corpo.
Espero que a palavra de Deus seja o açoite que nos fará expulsar de dentro do nosso templo, os cambistas e vendedores bem como toda sua parafernália religiosa (preocupações e pecados que nos afastam da verdadeira adoração) que nos faz enxergar a nós mesmos e, aos outros apenas como oportunidades para bons negócios. Até quando a nossa indignação será "uma mosca sem asas que não ultrapassa a janela de nossas casas". Não devemos nos conformar com essa situação, precisamos voltar à verdadeira adoração, é fácil abandonar a estrutura (instituição religiosa) culpando-a por seus descaminhos, mas é difícil olharmos para nossos próprios erros e tratá-los.
Se a igreja institucional brasileira vai de mal a pior a culpa é de quem? Será que nós como igreja viva não contribuímos para isso? Precisamos alçar nossa voz contra nossos próprios descaminhos e contra os descaminhos da instituição, mas isso só acontecerá quando nos tornarmos o que por vocação somos (adoradores, verdadeira igreja). Que a misericórdia de Deus nos dê força para mudarmos aquilo que está errado em nossa adoração em nosso templo. Que a cada dia possamos usar nosso templo de maneira bíblica e correta, oferecendo-o a Deus como um sacrifício vivo.
Até a próxima irmãos fiquem na paz de Cristo!
